segunda-feira, 19 de maio de 2014

GRANDE RECIFE // PERFIL

Delegada de Cavaleiro supera timidez quando está em ação

Publicado em 19.05.2014, às 19h30


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Beatriz Leite chamou atenção durante sua ação na greve da Polícia Militar
Foto: Igo Bione/ JC Imagem

Adriana OliveiraDo NE10
Com salto alto e a sua "melhor amiga" nas mãos, a delegada Beatriz Leite, da 23ª Delegacia de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, chamou a atenção durante sua atuação na última quinta-feira (15), ao prender saqueadores durante a greve da Polícia Militar em Pernambuco. Apesar de parecer tão desinibida em ação, Beatriz se considera uma mulher tímida e admitiu ter medo de aparecer na televisão e dificuldades de lidar com a fama. Envergonhada, ela conversou com o Portal NE10 sobre carreira e família. 
Paulista de 33 anos, Beatriz saiu de Coroados, no interior de São Paulo, para Pernambuco depois que passou no concurso para delegada, há seis anos. A escolha da profissão foi motivada pela sua mãe. "Desde criança admirava minha mãe. Ela se formou em direito e trabalhava como advogada. Decidi fazer o mesmo curso que ela e comecei a estudar muito. Passei neste concurso e me mudei com meu esposo para Pernambuco", contou. 

Beatriz Leite sempre teve apoio de sua mãe para seguir a carreira de delegada Foto: Arquivo pessoal
Logo quando chegou ao Estado, foi trabalhar na Delegacia da Mulher. Passou cerca de um ano e meio em Prazeres, Jaboatão, e depois foi para Paulista, também no Grande Recife. Durante este período, atuou em muitos casos de violência contra a mulher e se deixou envolver com a história de cada vítima. 
"Eu sofria junto com as mulheres. Cada vítima não era apenas mais um caso, elas tinham rosto. Mexia muito comigo. O caso que mais me chocou foi o de um homem que estuprou uma criança de apenas 5 anos. Quando vi a menina enrolada no lençol lembrei da minha filha. Pouco tempo depois pedi para sair do cargo." Agora em Cavaleiro, disse que a maior dificuldade é dar conta da grande área territorial do bairro. 

Sobre a onda de saques durante a greve da PM, semana passada, confessou que ficou impressionada com a dimensão dos furtos. "Foi angustiante. Parecia uma guerra. Cheguei a pedir apoio para tentar controlar a situação. Quando chegava na delegacia tinha gente que me questionava qual era o problema de ter pego os produtos, já que todo mundo estava agindo da mesma forma," lembrou. 

Delegada atuou na ação para prender vândalos em Cavaleiro durante greve da PM
Quando não está no plantão na delegacia, onde dedica a maior parte de seu dia, Beatriz cuida do marido e da filha, sobre quem apenas informa a idade: 5 anos. "Adoro ficar com minha filha. No tempo livre costumo sair com ela para parques e livrarias. Como não tenho família aqui, sempre saio com os pais dos colegas dela para churrascos e passeios". 

Apesar de não se considerar vaiosa, delegada tem uma coleção de sapatos Foto: Arquivo pessoal
Embora não se considere uma mulher vaidosa, confessou que não abre mão de ir à academia, estar sempre com a unha feita e de salto alto. Sapatos não faltam no seu armário: são pelo menos 200 pares. No entanto, depois de ter perdido o salto durante a ação da última quinta, a delegada contou que vai manter na delegacia um sapato mais confortável para situações de emergência. No dia a dia, costuma trabalhar de calça jeans, blusa da Polícia Civil e óculos escuros, uma marca registrada. Discreta, é fã de música sertaneja.

As suas principais paixões são o trabalho e a família Foto: Igo Bione/JCOnline 


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