sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Voto nulo auxilia candidato desonesto

Publicada em 03/10/14
Stefany Leandro
Da reportagem local
Nas eleições presidenciais de 2010, Mogi das Cruzes contabilizou 16.999 votos nulos ou brancos. O número representa 7,4% de um total de 228.933 votos efetuados no município. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esta é a mesma proporção registrada no Estado e no País.

Embora muitos destes eleitores utilizem o voto nulo ou branco como forma de protesto, a prática não anula a eleição, conforme explica o sociólogo Afonso Pola. "Durante o processo eleitoral, o eleitor escolhe o melhor candidato disponível, porém, quando ele não se identifica com as opções, existe a alternativa de votar nulo ou em branco, sendo que para esta segunda há um botão na própria urna. Agora, o único impacto que isso acarreta nas eleições é a redução no número de votos válidos contabilizados durante o pleito", detalhou.

Pola esclareceu também que a quantidade de votos nulos e brancos revela um novo perfil do eleitorado: mais descrentes com a política nacional. "Quanto maior a quantidade de votos nulos e brancos maior é o sintoma de que uma grande parcela da população está insatisfeita com a conduta dos políticos ou, ainda, não se sente representada pelos partidos", avaliou.

O sociólogo acrescentou que há ocasiões em que o voto nulo pode ser considerado "consciente", desde que o eleitor faça uma reflexão das instituições partidárias e seus representantes. 
Ele ressaltou que os votos brancos e nulos "não são o melhor caminho para que haja uma mudança no cenário político". "A falta de credibilidade nas instituições políticas afastam o cidadão. Contudo, quanto mais nos distanciamos, maior é a tendência de que ela venha a se tornar mais propícia para aqueles que defendem interesses particulares", concluiu. 

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